Em edição histórica, Beyoncé é destaque da revista Vogue

Confira algumas fotos e entrevista inédita da cantora

Eis que saiu a revista mais importante do ano da Vogue com Beyoncé! A edição já se tornou histórica a começar pela escolha feita pela própria cantora de quem a fotografaria: Tyler Mitchell. O jovem de 23 anos é o primeiro fotógrafo negro a registrar uma capa da Vogue desde a sua fundação em 1892.

Entre as exigências de Beyoncé, ela decidiu posar com pouquíssima maquiagem e abrir mão de perucas ou de seus famosos apliques. “Acho importante que mulheres e homens vejam e apreciem a beleza em seus corpos naturais“, explicou. À publicação, revelou ter passado por uma gravidez de risco, no caso da gestação dos gêmeos; comentou a aceitação do corpo pós-parto e contou sobre como superou os conflitos no relacionamento com o marido Jay-Z.

Depois do nascimento da minha primeira filha, acreditei nas coisas que a sociedade dizia sobre como meu corpo deveria se parecer. Eu coloquei pressão sobre mim mesma para perder todo o peso do bebê em três meses, e agendei uma pequena turnê para garantir que eu faria isso. Olhando para trás, isso foi uma loucura. Eu ainda estava amamentando quando realizei os shows em Atlantic City em 2012. Depois dos gêmeos, eu me aproximei das coisas de forma muito diferente“, começou Beyocé, recordando a gravidez de Blue Ivy.

Eu estava com 98 quilos, o dia que dei à luz Rumi e Sir. Eu estava inchada de toxemia e estava em repouso por mais de um mês. Minha saúde e a saúde de meus bebês estavam em perigo, então eu tive que fazer uma cesariana de emergência. Passamos muitas semanas na UTI neonatal. Meu marido foi um guerreiro e um sistema de apoio muito forte para mim. Tenho orgulho de ter sido testemunha de sua força e evolução como homem, melhor amigo e pai. Eu estava em modo de sobrevivência e não compreendi tudo até meses depois. Hoje tenho uma conexão com qualquer pai que tenha passado por essa experiência. Foi uma grande cirurgia. Alguns de seus órgãos são deslocados temporariamente e, em casos raros, são removidos temporariamente durante o parto. Não tenho certeza de que todos saibam disso. Eu precisava de tempo para me curar, para me recuperar“, desabafou sobre as dificuldades da segunda gravidez.

“Durante a minha recuperação, eu me dei amor e cuidado, e aceitei ser mais curvilínea. Eu aceitei o que meu corpo queria ser. Depois de seis meses, comecei a me preparar para o Coachella. Eu me tornei vegana temporariamente, larguei o café, o álcool e todos os sucos de frutas. Mas eu fui paciente comigo mesma e amei minhas curvas mais ressaltadas. Meus filhos e meu marido também. Acho importante que mulheres e homens vejam e apreciem a beleza em seus corpos naturais. É por isso que eu tirei as perucas e extensões de cabelo e usei pouca maquiagem para essa sessão. Até hoje meus braços, ombros, seios e coxas estão mais cheios. Eu tenho uma pequena barriga de mamãe e não tenho pressa em me livrar dela“, acrescentou à cantora.

Sobre seu casamento com Jay-Z, Beyoncé revelou na canção ‘Sorry’ do álbum “Lemonade” de 2016 ter sido traída e também entregou o que fez para resolver esses conflitos. “Eu venho de uma linhagem de relacionamentos mal sucedidos, abuso de poder e desconfiança. Só quando vi isso claramente pude resolver esses conflitos em meu próprio relacionamento. Conectar-se ao passado e conhecer nossa história nos torna tanto machucados quanto lindos. Eu pesquisei minha ascendência recentemente e aprendi que eu venho de um proprietário de escravos que se apaixonou e se casou com uma escrava. Eu tive que processar essa revelação ao longo do tempo. Eu questionei o que isso significava. Eu agora acredito que é por isso que Deus me abençoou com meus gêmeos. A energia masculina e feminina coexistiram e cresceram no meu sangue pela primeira vez. Oro para que eu seja capaz de quebrar as maldições geracionais da minha família e que meus filhos tenham vidas menos complicadas“, disse à revista.

Beyoncé ainda fez um incrível discurso sobre representatividade, leia na íntegra:

“Minha mãe me ensinou a importância não apenas de ser vista, mas de me ver. Como mãe de duas meninas, é importante para mim que elas também se vejam – em livros, filmes… É importante para mim que elas se vejam como CEOs, como chefes, e que elas saibam que podem escrever o roteiro de suas próprias vidas – que podem falar o que pensam. Elas não precisam ser de um certo tipo ou se encaixarem em uma categoria específica. Elas não precisam ser politicamente corretos, contanto que sejam autênticas, respeitosas, compassivas e empáticas. Elas podem explorar qualquer religião, se apaixonarem por qualquer raça e amar quem eles queiram amar.

Eu quero as mesmas coisas para o meu filho. Eu quero que ele saiba que ele pode ser forte e corajoso, mas que ele também pode ser sensível e gentil. Eu quero que meu filho tenha um QI emocional alto, em que ele seja livre para ser cuidadoso, sincero e honesto. É tudo o que uma mulher quer em um homem, e ainda assim não ensinamos aos nossos meninos.

Eu espero ensinar meu filho a não ser vítima do que a internet diz que ele deveria ser ou como ele deveria amar. Eu quero criar melhores representações para ele, de modo que ele possa atingir seu pleno potencial como homem, e ensiná-lo que a verdadeira magia que ele possui no mundo é o poder de afirmar sua própria existência.

Eu estou em um lugar de gratidão agora.

Eu estou aceitando quem eu sou. Vou continuar a explorar cada centímetro da minha alma e cada parte da minha arte.

Eu quero aprender mais, ensinar mais e viver integralmente.

Eu trabalhei muito para conseguir chegar a um lugar onde eu possa escolher me cercar daquilo que me preenche e me inspira”.

Confira mais fotos do ensaio fotográfico: